UM PANORAMA DO MERCADO DE SHOPPING CENTERS

Temos enfrentado tempos conturbados com relação à diversas situações no país dentre as quais estão política, segurança, serviços públicos e economia. O poder de compra do brasileiro tem sido afetado, já que a taxa de desemprego subiu 6% entre 2013 e 2016 e simultaneamente ocorreu a diminuição da renda. Esses dois fatores somados ao crescimento da inflação não poderiam gerar outro resultado além da queda das vendas.

Entretanto, apesar do cenário de crise, o mercado de shopping centers resistiu, tendo realizado em 2016 vinte inaugurações, que geraram juntas 25 bilhões em impostos pagos aos cofres públicos. E para além das inaugurações, as vendas nos shoppings também viram um crescimento. Elas atingiram R$157,9 bilhões, um crecimento de 4,3% em comparação a 2015.

A situação desse mercado é variada entre as regiões do país. O grande destaque é a região sudeste que conta com 300 unidades. Em contraposição, toda a região Norte tem apenas 26 shoppings. As cidades do interior também tem chamado a atenção, sendo que 53% dos shoppings estão localizados nelas. As redes encontram muitas vantagens nessas localidades, tais como a menor concorrência, facilidade na obtenção de licenças de funcionamento e custos menores na aquisição de terreno e na construção.

Em contraposição à esses dados indicando crescimento do negócio de shoppings houve também uma evolução no número de lojas em vacância. Essas lojas podem gerar uma imagem negativa para o consumidor, já que um número elevado de lojas fechadas pode significar que o negócio não vai bem e que aquele não é um bom local para se frenquentar. Algumas ações dos próprios shopping já estão levando em conta esses casos e estão buscando alternativas para preencher esses espaços.

Outro dado interessante é o crescimento de 4,9% em números de salas de cinema, que já contabilizam 2707 no total. A oportunidade de um lugar que engloba lazer, alimentação e um variado mix de lojas aliado ao conforto e segurança atrai diversos públicos que veem esses espaços como uma ótima forma de passar o tempo.

O perfil desse frequentador é muito bem detalhado, sendo constituido em sua maior parte por mulheres (59%) de classe B (50%) com idade média de 32 anos. O tempo médio de visita aos shoppings é de 76min, sendo que 68% dos entrevistados visitam shoppings semanalmente. O perfil de compras também é interessante, já que apenas 48% dos visitantes fazem compras e o ticket médio observado é de R$243,00. É importante levar em conta essas informações para fazer com que a pessoa certa no momento certo passe a frequentar esses espaços, aumentando assim as possibilidades de venda.

Os investimentos dos lojistas também continuam em crescimento. Pelo menos 21 redes abriram novas unidades ou iniciaram operações em shoppings do Brasil, como Natura, Pizza Hut, Madero, KFC, Hard rock café, L’OCCITANE, dentre outras.

As tendências para 2017 apontam em primeiro lugar o crescimento no número de outlets. Em 2016 o número de unidades em operação chegou a 11 e a projeção é de que até 2019 esse número suba para 16.

Outra oportunidade é a criação de complexos multiuso, que englobam operações como complexos empresariais e residenciais, hoteis, faculdades, torres com centros médicos, dentre outras. Atualmente 32% dos shoppings já possuem uma ou mais dessas características associadas aos shopping centers.

Uma outra abordagem com chances de crescimento seria a criação de espaços abertos e de convivência. Os consumidores se mostram muito receptivos a essa possibilidade, desejando que a natureza esteja presente, mas que seja utilizada simultaneamente com a tecnologia. Para além disso, muitos desejam a presença desses espaços como um contraponto ao modelo atual de construção dos complexos, nos quais muitas vezes nada do ambiente externo pode ser visto e não é possivel identificar se é dia ou noite. É relacionado a esse desejo o conceito de sustentabilidade, que também é uma das tendências apontadas. Ações como sistemas de reutilização de água, uso de paineis solares, reciclagem e campanhas voltadas ao tema costumam gerar impactos positivos na imagem que os consumidores tem daquele shopping.

A tecnologia também continua super em alta. Com a forte influência do digital nas compras muitos consumidores relatam a compra in-store depois de pesquisar online sobre os produtos. A experiência de compra, que está se tornando muitas vezes mais valiosa do que os próprios produtos adquiridos, é fortemente influenciada por canais de venda que não somente os físicos. É extremamente necessário investir em presença na internet tanto nos esforços de venda quanto no relacionamento com o cliente para solução de dúvidas e problemas.

A expectativa para 2017 é a abertura de 30 novos shoppings, a grande maioria deles em cidades do interior de até 500mil habitantes. Muitas cidades já estão em processo de contrução para receber seu primeiro shopping como Ananindeua (PA), Olinda (PE), Guarapuava (PR), Franco da Rocha (SP), dentre outras. São esperados 16 bilhões em investimentos e um crescimento de 5% em relação a 2016, além de 52 mil novos postos de trabalho vendas que prometem chegar na casa dos 166 bilhões.

É evidente que todo investimento deve ser realizado com cautela e deve passar por muitas análises, mas em um cenário de crise esses cuidados precisam ser redobrados. Portanto, dados como esses nos deixam um pouco mais otimistas e nos dão a segurança de que investindo em uma operação em shopping as projeções são positivas e prometem um bom retorno pra quem quer empreender.

Bons negócios e boas compras!

Fonte: Associação Brasileira de Shopping Centers.

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