O FRANCHISING FORA DA CAIXA

Invariavelmente, temos a sensação de que estamos vivendo no futuro, descobrimos novas tecnologias e acompanhamos a evolução da inteligência artificial, por exemplo. No entanto, a inovação não para por aí, as relações de trabalho e os modelos de gestão empresariais estão sendo obrigados a se rever e adotar novos processos para que as empresas tradicionais não sejam “engolidas” pela concorrência. Esse movimento é observado principalmente nas Organizações Exponenciais, aquelas cujo impacto ou resultado é grande.

Os exemplos mais simples são produtos e serviços que tornaram essenciais de forma repentina para boa parte da população e por trás deles provavelmente existe uma Organização Exponencial, também chamadas de ExOs, Uber, Apple e Nubank, por exemplo. Com uma nova cultura de gestão e com intenso uso da tecnologia elas ganharam espaço e deixaram muitas organizações conservadoras sem mercado ou tem obrigado as mesmas a se atualizarem e melhorar os serviços.

As empresas tradicionais ao perceberem que esse modelo é realmente eficiente, deixaram de tentar combatê-lo e começaram a aprender com ele. O Franchising brasileiro, apesar de ser um segmento que tem resistido bem a crise e apresentado bons resultados, ainda enfrenta muitos problemas em decorrência de modelos de gestão desatualizados e arcaicos, com grande defasagem tecnológica. Apesar disso, por meio de uma pesquisa, a Associação Brasileira de Franchising (ABF) comprovou investimentos em inovação que tem sido feito pelas franqueadoras brasileiras, no entanto, muitas franqueadoras ainda são dependentes da hierarquia e apresentam problemas de relacionamento na rede.  Por isso, inspirados nessas novas formas de gestão que franqueadores brasileiros começaram a reinventar as formas de gerenciamento de grandes empresas e a partir disso, criaram a o modelo conhecido como Open Franchise.

As ExOs apresentam características muito importantes que conferem sucesso e eficiência para suas operações. Através delas, o padrão industrial está mudando de “ter” para “usar” e o modelo econômico está mudando de linear para exponencial. Muitas dessas mudanças são possíveis através da tecnologia, que além de mudar o comportamento do consumidor permitiu agilizar, eliminar processos manuais e automatizar tarefas repetitivas dentro das empresas. Pedro Mello e Mauro Peres se inspiraram nos bons exemplos de startups e moldaram um modelo especial para o Franchising, se apoiando na transferência de know-how e nas possibilidades que as próprias redes já apresentam.

Dentre as características destas ExOs, uma das principais é o Propósito Transformador Massivo (PTM) que está baseado em trazer ideias motivacionais, movimentar os colaboradores e causar um impacto positivo no ambiente externo ou melhorar um serviço e com isso, consequentemente passar na frente da concorrência. Através disso, elas conseguem inovar rapidamente e adaptar-se de forma mais rápida às novidades do mercado e até implantar novas tecnologias sem tanta rejeição dos colaboradores. No Open Franchise esse pensamento veio para transformar o papel dos franqueados e mudar a hierarquia, construindo uma liderança coletiva onde os franqueados se integram mais nas decisões da franqueadora.

No Open Franchise a construção coletiva é priorizada e promovida a partir de uma mudança de objetivos, onde a rede deixa de focar na expansão e replicação do padrão e concentra esforços na geração de valor. Com isso, os franqueados são chamados a trabalhar ativamente na melhoria das franqueadoras e esse espaço vai além de participar de um conselho, eles ajudam na melhoria dos processos e também transmitem seus conhecimentos para outros franqueados através de consultorias de campo de acordo com suas habilidades, por exemplo. Isso auxilia diretamente no engajamento da rede, pois, os franqueados que ensinam se sentem mais responsabilizados por mudanças na franquia e os que aprendem se sentem mais confortáveis com outros franqueados, pois, conseguem ver os ensinamentos aplicados de uma maneira prática.

Um outro benefício gerado pelo modelo é a economia na franqueadora, já que o modelo de gestão tradicional (centralizador) possui um custo muito alto: consultores, agências de marketing, etc. Isso prejudica principalmente as pequenas redes, que possuem baixa arrecadação de royalties e muitas vezes não conseguem prestar o suporte prometido, aumentando o nível de insatisfação por parte dos franqueados, sem contar a necessidade vender franquias a qualquer custo sem critérios para escolha de franqueados gerando graves problemas para a rede. No Open Franchise a franqueadora consegue se manter de uma forma mais sustentável e garantir o suporte adequado a todos os franqueados, crescendo de forma saudável.

Ao atualizar modelos obsoletos de gestão, investir em tecnologia e implantar uma nova cultura organizacional as chances de sucesso e expansão são maiores. Isso vem se comprovando pelas redes brasileiras que estão adotando o novo modelo. Flytour Franchising aposta em potencializar as fortalezas de cada um e o franqueador da Yakisoba Factory afirma que está menos sobrecarregado e que as reclamações diminuíram, comprovando os benefícios para todos os lados.

O Franchising já possui muitas vantagens diante de outros modelos que possibilitam uma expansão mais saudável. E a ideia de colaborar dentro da rede apesar de ter ganhado mais força atualmente, nasceu junto com o modelo, tanto que em 1989, Lindolfo Martin, fundador da rede Multicoisas já havia escrito: “Em rede o sucesso de um é a alegria do outro, a dificuldade do outro é a nossa própria dor. Em rede não existem diretores, nem presidentes, pois são todos monarcas de suas responsabilidades. Em rede vive-se até este estranho conflito de dependência e independência. Em rede ninguém fiscaliza, critica ou condena, mas simplesmente, se coopera”. Por isso, é importante nunca se esquecer dos princípios do Franchising e pensar nos novos modelos para melhorar cada vez mais a eficiência e o sucesso das redes para que esse modelo de negócio continue despontando no Brasil.

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